segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Abolição e filho de pato

Resolvi recorrer ao blog do camarada Dauro Veras para catar algumas notas de minha lavra perdidas tempo. Como o colega é pioneiro, e pinçou algumas delas em nossa lista da salinhadoca, vou abusar.

Essa é de outubro de 2007:

Mestre Arildo e um discurso sobre a abolição

Arildo Dória, o jovem sábio de 73 anos que trabalha ao meu lado, acabou de receber a encomenda de um discurso sobre os 120 anos da abolição da escravatura. Quem requisitou, pediu especial destaque e elogios à "visionária" Princesa Isabel e às leis do ventre livre e do sexagenário.

Ele começou o discurso assim: Senhoras e senhores deputados, há 120 anos a escravidão foi abolida no Brasil. Antes, criaram a lei do sexagenário, que dava liberdade para o negro com mais de 60 anos quando a expectativa de vida no país era de 47. Depois criaram a lei do ventre livre, como se a criança fosse jogada pela janela como filho de pato, que já nasce nadando...

Que pena que na minha época de escola não havia um professor como Arildo. Tinha que aturar as aulas de EMC (Educação Moral e Cívica).

Tinindo

Comitiva de político pelo interior do Brasil fatalmente vai parar na zona. Numa dessas empreitadas, lá pelo interior da Paraíba, a autoridade em questão, um senador já da terceira idade, resolveu convidar a jornalistada que acompanhava "os eventos" para ir até um puteiro.

O estabelecimento era precário, com os quartinhos separados por divisórias de madeirite. Vá lá, o trem não era lá essas coisas, mas ninguém tava a fim de perder a viagem, ainda mais com os cornos cheios.

Cada um foi tratando de arrumar sua rapariga e rumar para o quarto.

A jornalistada tava lá no bem-bom quando surgiu uma pequena discussão, justamente no quartinho em que se aboletou o senador.

Era um tal de vira, de ajuda, de assim não dá, de splesh, vupt e outras "rabações". A comitiva de imprensa até largou de mão as meninas para escutar o furdunço.

Foi então que a companheira do parlamentar decretou o fim da foda...

_ Mas senador! Pra cumê cu o pau tem que tá tinindo!

... e o início da gozação.

Artesanato, biojóias e meio ambiente

Quem gosta de artesanato, meio ambiente e biojóias não pode deixar de conferir o blog da Yasaí Biojóias, produzido por Adriane Adratt, de Brasília. Ela produz peças exclusivas com matéria prima do cerrado e vêm participando de importantes eventos da área. No blog você pode conferir os eventos que rolam na capital federal e outras regiões. Tem também o espaço no youtube, com um vídeo que mostra um pouco mais do trabalho dela. Quem se interessar pelo trabalho, também pode comprar as peças na loja virtual. Não deixe de visitar.

Em tempo: A moça competente é minha mulher.

Quem dá a Carta

O destaque da revista Carta Capital desta semana são as 14 páginas vendidas a Petrobras, por meio do famigerado "publieditorial", que nada mais é do que matéria paga no meio do conteúdo jornalístico da revista. Certa vez trabalhei na revista de "um jornalista" que fazia muito disso. Não imaginei que algum dia o "tic" iria "pegar" no Mino Carta.

Das 90 páginas desta edição, 19 são de anúncios de governo e estatais. Um belo capital. Fora as 14 da Petrobras, tem uma sobre trânsito bancada pelos ministérios da Saúde e Cidades, duas da Caixa e duas do governo do Ceará.
Já ia me esquecendo... Também tem duas da Cervejaria Petrópolis, empresa investigada pela PF por sonegação fiscal, numa engenharia que tem entre os cabeças o publicitário Marcos Valério, aquele carequinha do mensalão.
O julgamento da contaminação desse cenário no material editorial da revista cabe a cada leitor. Pessoalmente, ainda seleciono muito material interessante na revista. Na área da política também vale a pena ler, nem que seja, em muitos casos, para saber como pensa o governo. Mas vez ou outra a revista também bate em Lula. Bate é exagero, dá um peteleco.
Agora, nada mais me deu nojo do que uma crítica sobre o Jô Soares publicada na semana passada. Vou poupá-los da reprodução. Parecia até que foi escrita pelo Reinaldo Azevedo.
Em tempo: A capa da revista deste semana - Lá vai o outro muro - fala do fracasso do capitalismo neoliberal.
Sugiro como pauta, para a próxima edição, o nascimento do "Capitalismo Estatal".

sábado, 18 de outubro de 2008

Pólos

Meu filho Pedro, de 7 anos, me pergunta onde ficam os pólos Norte e o Sul. Digo a ele que o Norte fica para cima e o Sul para baixo. Ele olha pra mim e diz:

_ Entendi, mas se eu chegar lá no Pólo Sul o Norte fica pra baixo né?

É mesmo tudo uma questão de ponto de vista.

Lambranho no Herzog

O camarada Lúcio Lambranho acaba de ganhar Menção Honrosa no prêmio Vladimir Herzog com uma série de matérias sobre o trabalho escravo. Para saber mais acesse o site Congresso em Foco. As reportagens contam o drama de 79 trabalhadores rurais do Piauí, submetidos a condições análogas de escravo e vítimas de um grave acidente rodoviário no interior da Bahia.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Prefeito de município em extinção

Não ví nada na mídia sobre o assunto. Mas bem que valeria uma entrevista com o prefeito eleito de Pacaraima, em Roraima. É o típico caso daquele que pode ser sem nunca ter sido. O tucano Altermir se elegeu com 2.250 votos, mas sua posse está nas mãos de uma decisão do Supremo Tribunal Federal. É que a cidade fica bem no meio da Reserva Raposa Serra do Sol que, se confirmada pelo Supremo em terras contínuas, varrerá o munípio de Pacaraima do mapa.

Ou seja: Altemir ganhou um picolé que só pode chupar no dia 1° de janeiro. Enquanto isso, tem que arrumar um jeito de mantê-lo sólido sem colocar na geladeira.

Dava uma materinha legal. Ainda mais que o maior defensor da manutenção do município, o demo Paulo Cesar, aquele que armou o maior furdunço na região, com direito a guerrilha com os índios, queima de pontes e homens bombas exibidos para a mídia, perdeu a eleição para o tucano.

sábado, 4 de outubro de 2008

Histórias sobre cigarro 2

Ciro Gomes é um fumante inveterado. Por isso, entrevistas longas em estúdios de televisão ainda são um suplício pra ele.

Certa vez, na campanha presidencial de 2002, ele dava uma entrevista para a TV Câmara. No lado de fora os jornalistas dos demais veículos o aguardavam para a tradidicional "apertada diária", quando o candidato costumava soltar suas "patadas".

Como eu assessorava o partido dele, sempre sobrava para mim "trabalhar na camaradagem" em suas aparições em Brasília. Lembro que ele nem me chamava pelo nome. Dizia assim:

_ Ô menino, pega aquele relatório ali pra mim.

Mas nesse dia me vinguei:

Ciro saiu do estúdio louco pra fumar. Vem em minha direção e, na frente da jornalistada, mete a mão no bolso de minha camisa e pega um cigarro, no que se dá o seguinte diálogo:

_ Pode botar de volta.

_ Qual é Botelho? (nessa hora lembrou o meu)

_ Tô falando pra botar de volta (emburrado ele botou)

_ Agora pede por favor.

_ Por favor, me dá um cigarro pelo amor de Deus.

_ Agora sim.

E entreguei o cigarro pro desesperado.

Histórias sobre cigarro 1

Essa é dos tempos em que ainda podia fumar nos corredores da Câmara dos Deputados.

Tava lá eu, pitando um cigarrim no anexo das comissões, quando passa uma senhora rechonchuda. Ela olha pra mim e diz:

_ Tu não sabe que cigarro faz mal a saúde.

No que respondi de pronto, sem pensar:

_ Comer demais também.

A gordona seguiu seu caminho resmungando impropérios contra minha pessoa.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Lição de moral

Hoje me bateu uma preguiça danada e resolvi dar uma durmidinha a mais. Tava lá me refestelando na cama quando chega meu filho Pedro, de 7 anos, com a mão na cintura.

_ Papai, deixa de ser preguiçoso. Levanta logo daí que tu vai chegar atrasado no trabalho!

Obedeci sem retrucar, mas com a moral lá no dedão do pé.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A "pindura" e a crise finaceira global

Circula pela internet uma explicação bem didática sobre a crise financeira global que pode ser entendida facilmente em qualquer boteco. E o botelheco não poderia deixar de reproduzir:

Observem como fica fácil de entender!

Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue breve relato econômico para leigo entender.

É assim:

O seu Biu tem um bar na Vila Carrapato e decide que vai vender cachaça na caderneta aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu - um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.
Uns seis ézécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bebum da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas e o Bar do seu Biu vai à falência.

E toda a cadeia sifu...

Extra! Extra! O jornal sumiu

A eleição na baixada fluminense anda quente. Neste final de semana sobrou até para os vendedores de jornais, que tiveram como manchete: Extra! Extra! O jornal sumiu.
É que cerca de 30 mil exemplares do Diário Extra, das organizações Globo, foram comprados na boca da central de distribuição, antes de chegar as ruas. A edição trazia matérias denunciando práticas ilegais de alguns deputados-candidatos. Saiba mais.

domingo, 28 de setembro de 2008

Tese antidemocrática

Toda vez que o presidente Lula Molusco sobe nas pesquisas de opinião, lá vem um puxa-saco sugerindo a postergação de seu trono. Primeiro vieram com a tal da re-reeleição, o maldito terceiro mandato. Dessa vez, malandramente falam em postergação do mandato por mais dois anos, aumentando também o tempo de permanência no poder de governadores, deputados e senadores, justamente aqueles que podem aprovar tal iniciativa.

Por trás disso, apresentam a desculpa de promover a coincidência eleitoral. Ou seja, iríamos às urnas apenas de quatro em quatro anos para eleger prefeitos, vereadores, deputados (estaduais e federais), governadores, senadores e presidente. Alegam os "bem intencionados" senhores que isso economizaria gastos com a organização das eleições, com campanhas, horário eleitoral...

A oposição, como sempre, acusa golpe. Diz que é um atentado contra o estado democrático de direito, um golpe contra a Constituição e por aí vai. Mas não entra no centro da questão.

Coincidência eleitoral. Isso sim é antidemocrático porque apequena a democracia, reduz o debate e coloca todas as esferas de poder no mesmo balaio. Imagine como se daria uma campanha onde você teria que escolher de vereador a presidente. Se hoje já há um debate superficial, tenderia para pior.

Na lógica, quanto mais eleições, mais democrático é o país que vivemos. Reduzi-las é um caminho perigoso, com possíveis atalhos rumo a sua supressão.

Mundo das sombras


Editando algumas fotos de nosso arquivo, me deparei com essa imagem, capturada pela minha mulher, a Adriane. Textura e sombras sempre dão bom resultado. Examinando os detalhes, voltei a ser criança. Resolvi cortar a original e inverter a sombra. Olha só no que deu.

O mundo das sombras as vezes é mesmo assustador. Dava até pra ganhar um troco vendendo essa imagem para revistas de aparições sobrenaturais.

Depois do inverno

Foi uma invernada daquelas, digna de ursolina hibernação. Congelei o blog por algum tempo por diversos motivos: Saco cheio, trabalho e, confesso, até preguiça mesmo. Estou voltando devagar. Nesse primeiro post, vai uma fotinho dos mognos que vejo da janela do meu "fumador de cigarro", como diz meu filho Pedro.